terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tintas de Impressão

As tintas sempre acompanharam o desenvolvimento da humanidade, sendo responsáveis pela comunicação de idéias desde a pré-história até os dias atuais.
A área gráfica cumpre uma missão muito importante e gratificante que é o de registrar e perpetuar o conhecimento humano, através de linguagens impressas, tarefa na qual têm papel fundamental. Nesse artigo veremos de forma sucinta os principais aspectos desse produto.
Porque existem tantos tipos de tintas de impressão?
A expansão da economia mundial no século passado fez surgir uma variedade muito grande de processos de impressão, capaz de responder as diferentes exigências dos segmentos editorial, promocional, de embalagens, etc. O aparecimento de impressoras mais sofisticadas e velozes, por sua vez, demandou uma adaptação e especialização das tintas para atender às necessidades técnicas das máquinas dos diferentes tipos de substratos que se multiplicavam.
Em geral, as tintas de impressão são formuladas para o tipo de substrato em que serão aplicadas (papel, plásticos, alumínio, folha de landres, tecidos, etc.), para o processo de impressão que será utilizado para realizar o serviço e as características físico-químicas exigidas pelo tipo de impresso.
Hoje, temos diferentes linhas de tintas de impressão, que divergem em suas formulações visando se adequar ao tipo de substrato utilizado, processo de impressão e sistema de secagem disponíveis.
O fabricante de tintas gráficas tem como meta o fornecimento de um produto que proporcione fácil manuseio e bom resultado final, sem que seja necessário realizar por parte dos impressores uma adaptação muito grande da tinta aos diversos tipos de trabalhos.
O que o fabricante da tinta deve saber?
O mercado depende largamente do contínuo fluxo de desenvolvimento de novas resinas em função do aparecimento de uma infinidade de substratos no mercado de embalagens. Assim, torna-se muito importante o conhecimento tanto do fabricante de resina quanto dos fabricantes de tintas de impressão dos fatores que inter-relacionam esses produtos física e quimicamente.
Sabemos que as principais propriedades e características de uma tinta de impressão provêm das resinas utilizadas. Algumas características, como secagem, brilho, adesão, flexibilidade, dureza, resistência à abrasão e resistência química, são intrínsecas ao tipo de polímero utilizado na preparação daquele determinado veículo resinoso. Podemos ainda considerar outras propriedades importantes que os veículos devem satisfazer como a efetiva interação com o pigmento e as exigências físico-químicas do processo de impressão.
Contudo, tais atributos, que determinam a melhor adequação do tipo de resina à tinta e ao processo de impressão, dependem do intercâmbio de informações das partes envolvidas no desenvolvimento dos produtos e da especificidade de cada trabalho.
Existe diferença entre as tintas de impressão?
As tintas de impressão são misturas complexas de diversos compostos químicos, que têm por objetivo final transmitir informações e cores sobre os substratos de impressão.
São constituídas basicamente por um agente de cor (pigmento/corante) e agentes aglutinantes (resinas) – que formarão uma película sólida com a perda do elemento volátil ou pela reticulação -, e aditivos adequados para melhorar as características específicas à sua aplicação.
Suas composições variam muito, dependendo da sua aplicação: litografia (offset), flexografia, rotogravura ou serigrafia. No caso da impressão litográfica, por exemplo, haverá algumas diferenças entre a formulação das tintas destinadas às máquinas de alimentação a folha (sheetfed) e as destinadas às máquinas rotativas (webfed). Dentro da linha e tintas para máquinas rotativas inda temos variações nas formulações de tintas para jornais (produzidas em equipamentos sem forno pelo processo coldset) e para revistas (impressas em máquinas com foco secador, ou seja, heatset).
A formulação das tintas freqüentemente deve atender a propósitos especiais, tais como resistência ao atrito, à descoloração, serem atóxicas, etc. Por todas essas exigências de aplicação, a fabricação de tintas é uma tarefa intrincada, requerendo um alto grau de tecnologia e treinamento.
Líquida ou pastosa: as exigências dos processos de impressão
As tintas formuladas para os processos de impressão litográfico (offset e tipografia) normalmente contêm resinas, óleos secativos e solventes hidrocarbônicos não polares que formarão os vernizes de alta viscosidade, sendo classificadas como tintas pastosas.
As tintas desenvolvidas para os processos de impressão flexográfico e rotográfico normalmente contêm resinas e solventes hidrocarbônicos polares que formaram os vernizes de baixa viscosidade, sendo classificados como tintas líquidas.
COMPONENTES:
Resina: Polímeros de médio ou alto peso molecular, geralmente apresentando estrutura de considerável complexidade, forma amorfa e, na grande maioria dos casos, com composição inteiramente orgânica. As resinas são solubilizadas em solventes aromáticos ou alifáticos (de cadeia aberta), formando o veículo da tinta. O veículo tem as funções de envolver as partículas de pigmentos de tal maneira que formem um conjunto homogêneo, permitindo o seu transporte desde o tinteiro até a superfície do substrato de impressão, no qual formará uma película plana e uniforme devido à ação filmogênea das resinas.
Pigmentos: Partículas cristalinas coloridas, orgânicas ou inorgânicas, que normalmente são insolúveis, não sendo afetadas física e quimicamente pelo veículo ou pelo substrato nos quais são aplicadas. Entre suas propriedades podemos destacar força tintorial, opacidade, brilho, resistência física e química. São divididas em pigmentos ativos, que conferem cor/opacidade, e inertes (cargas), que conferem certas propriedades como diminuição de brilho e maior consistência.
Aditivos: Produtos que são adicionados à tinta para transmitir algumas características especiais, necessárias à sua aplicação. Ceras, dispersantes, plastificantes, biocidas e anti-espumantes são exemplos de alguns dos aditivos mais utilizados.
Solventes: Geralmente utilizam-se hidrocarbonetos aromáticos ou alifáticos, de baixo ponto de ebulição, para a solubilização das resinas e acerto da viscosidade das tintas.
Etapas de fabricação:
O processo de fabricação da tinta segue uma série de etapas seqüenciais, quando a formulação deve ser rigidamente observada e obedecida.
1. Avaliação e controle da matéria-prima
2. Pesagem das matérias-primas obedecendo à formulação
3. Pré-Mistura. Mistura de resinas, pigmentos e aditivos em equipamento de alta precisão
4. Moagem. A pasta obtida na pré-mistura passa pelo moinho para destruir os aglomerados de pigmentos, formando assim pequenas partículas
5. Completagem. O produto obtido na moagem fica armazenado em tanques e será levado para os dispersores, nos quais se completará a formulação através da adição dos aditivos que forem necessários
6. Tingimento. É a etapa onde se acerta a cor da tinta, conforme o padrão estabelecido
7. Controle da qualidade. Nessa etapa, os produtos são submetidos a rigorosas análises para observação de viscosidade, brilho, cobertura, cor e secagem. Após aprovação, são liberados para colocação nas embalagens
8. Embalagem. Os produtos são filtrados e enlatados para serem enviados à expedição.
Quais os principais controles realizados nas tintas?
Vamos conhecer alguns testes que os fabricantes de tintas realizam para verificar as características reológicas, ópticas e físicas das tintas fabricadas.
- A viscosidade é uma medida de resistência que a tinta oferece para fluir, e é responsável pela transferência da tinta, nitidez de impressão de pontos de retícula e pela formação de uma película uniforme sobre o substrato.
- O tack é uma medição de capacidade de adesão que as tintas pastosas possuem, devendo ser alto o bastante para realizar a transferência da tinta na rolaria, mas não a ponto de causar o arrancamento de fibras ou cargas minerais da superfície dos substratos celulósicos de impressão
- O poder tintorial é a medição do poder corante fornecido pelos pigmentos contidos em uma tinta, geralmente utilizada com um espectrofotômetro. Uma tinta com poder corante alto é preferível, pois exigirá uma carga de tinta menor para atingir a cor desejada, reduzindo o gasto de tinta e permitindo uma secagem mais rápida da película de tinta impressa.
- A granulometria é a medição do grau de moagem e dispersão dos pigmentos no veículo de tinta e é realizada com instrumento chamado grindômetro. Uma tinta com moagem deficiente ficará muito abrasiva e causará desgaste prematuro da forma de impressão, ao passo que uma tinta bem moída apresentará maior poder corante, reduzindo a carga de tinta aplicada e o tempo necessário para a secagem.
- O brilho é a medição no nível de reflexão especular da superfície da película impressa. A leitura de brilho dos impressos é realizada no ângulo de 60º. É responsável por realçar as imagens impressas.
Fonte: www.rickardo.com.br

Retícula Estocástica

Com a evolução dos processos, uma nova tecnologia que surgiu há mais de 10 anos volta à tona: a retícula estocástica ou FM. Os beneficiados são as gráficas focadas em impressos que exigem alta qualidade, que lançam mão desse recurso como um diferencial bastante tangível
Lançada em 1993, a retícula estocástica prometia revolucionar a indústria gráfica graças a um sistema aleatório de distribuição de pontos, sem ângulo de inclinação ou rosetas. No Brasil, ganhou projeção pelas mãos do consultor norte-americano Mills Davis, então à frente do projeto HiFi Color, cujos patrocinadores incluíam nomes como a Apple, DuPont, Kodak, Pantone e Scitex. Tal projeto, trazido ao Brasil pela ABTG, sob a coordenação de Fernando Pini, destinava-se ao desenvolvimento de novos projetos para a obtenção de cores de alto impacto e elevado valor agregado, tinha como base a impressão através da retícula estocástica justamente por possibilitar a reprodução superior de tons e detalhes.
Contudo, por maior que tenha sido o empenho de fornecedores e técnicos, a tecnologia não vingou por várias razões que, simplificadas, desembocam na inadequação dos sistemas dos quais a retícula estocástica dependia. Embora algumas gráficas do exterior tenham alcançado sucesso na sua implantação, o sistema não se popularizou por uma série de problemas, entre eles o fato de que  a maioria das gráficas ainda não era capaz de monitorar seus processos de forma a deixar o sistema vantajoso. Outra dificuldade era conseguir transferir o ponto, muito pequeno, com clareza, assim como era raros os sistemas de prova habilitados a reproduzi-los satisfatoriamente. “Na época do filme, usar a retícula estocástica exigia cuidado extremo para que o trabalho surtisse o efeito desejado. Com a chegada do CtP e do gerenciamento de cores, a utilização foi facilitada”, conta Lourenço Amato, diretor de operações da Pancrom.
Com o advento da tecnologia da computerto-plate, muitos desses obstáculos foram de alguma maneira transpostos. As chapas trabalham com pontos de primeira geração e são capazes de suportar os pontos de tamanho diminuto requeridos pela retícula estocástica. O software que gera a retícula foi aprimorado, assim como os sistemas de prova – incluindo a tecnologia inkjet – avançaram ao nível de serem aceitos amplamente tanto no caso da retícula convencional quanto da estocástica.
A principal vantagem da estocástica ou FM (sigla para Frequency Modulated) está relacionada à sobreposição de cores, com a eliminação do indesejável moiré provocado pela retícula convencional ou AM (Amplitude Modification) especialmente em projetos que reproduzam padrões regulares, como os tecidos. “O retorno de qualidade é inegável e um dos principais benefícios é a extinção do risco de distorções como o moiré”, defende Lourenço Amato. Estão igualmente entre as vantagens a melhor estabilidade tonal e a reprodução com qualidade fotográfica, através de dégradés mais suaves, tons de pele mais naturais e maior riqueza de detalhes.
Para Osvaldo Cristo, gerente de pré-impressão da Heidelberg para a América Latina, grande avanço também é a possibilidade de preservar os detalhes graças à variação na freqüência dos pontos e não no seu tamanho. “A retícula FM tem permitido a impressão de um intervalo de cores mais amplo, empregando mais de quatro separações, o que seria praticamente impossível com a retícula convencional.” O consultor técnico da Creo/Alphaprint, Danilo Eskenazi, vê a tecnologia sob um outro ângulo: como um diferencial dentro do mercado competitivo. “Quanto mais a gráfica conseguir se destacar dos concorrentes por meio de produtos diferenciados, mais à frente ela estará.
Fornecedores e gráficas concordam quanto à importância do gerenciamento do fluxo de trabalho, uma vez que qualquer alteração em uma das variáveis pode causar distorções na qualidade final do trabalho. “Como em qualquer tipo de impressão, o controle do processo é o item mais importante para garantir bons resultados”, define Danilo Eskenazi.  Para Marcelo Pimentel, gerente de Produto da CtP da Lüscher/Gutenberg, certamente a opção pela tecnologia terá sucesso se a tríade sólido conhecimento de pré-impressão, alta qualidade de consumíveis e papel de excelente qualidade for considerada. Ele sugere um monitoramento rígido do processo de linearização, bem como a realização de testes com diversos fornecedores de tintas, blanquetas, papéis e outros insumos. “Na impressora, é importante observar o equilíbrio molha e tinta, controle de pH e ajuste de pressão entre a chapa e a blanqueta, além de contar com a experiência de um bom impressor.
Utilizando a retícula estocástica há cerca de um ano, Celso Lund, da gráfica carioca Nova Brasília, afirma ter realizado vários acertos para obter resultados positivos. “Temos de3 nos certificar da estabilidade do processo, com fidelidade de gravação, boa limpeza e equipamento bem calibrado, dentre outros itens. Criamos um controle de procedimentos para garantir esses ajustes.” Segundo ele, entretanto, o uso da retícula FM
Depende da demanda. “Os trabalhos são realizados de acordo com as necessidades do cliente.

Quando usar
Por suas próprias características, a retícula FM tem sido empregada na produção de impresso que exigem alta qualidade. Jânio Coelho, gerente geral Rio de Janeiro, da Esko-Graphics/IPP defende o uso quando existe a necessidade de trabalhar com mais  de quatro cores, por exemplo, em hexacrome ou com tintas de alta pigmentação. Apesar de poder ser aplicada em qualquer tipo de impresso, as embalagens têm sido as maiores beneficiadas. “Qualquer representação com muitas tramas requer essa tecnologia para que o impresso não sofra mudanças de tonalidade”, defende Celso Lund. Para ele, o maior cliente é a indústria de higiene e beleza, com o que concorda o diretor da Pancrom. Hoje usamos mais a estocástica para itens da indústria cosmética, catálogos de pisos, reproduções têxteis e outros trabalhos mais detalhados.
A solicitação do mercado é questão crucial, como comenta Marcos Agueda, diretor de Operações da Quebecor World Recife. A unidade não adotou a retícula estocástica pela falta de demanda. “Fizemos testes de impressão, mas decidimos continuar utilizando o método convencional porque nossos clientes não manifestaram interesse pela troca. Como o investimento para a compra do software seria muito alto, não estamos usando retículas diferenciadas atualmente.” Segundo Marcelo Pimentel, o custo do software necessário para a geração de arquivos digitais com retícula FM situa-se na faixa entre US$ 6 a 12 mil, sem contar a mão-de-obra para a calibração, que deve ser executada por bons profissionais. “O custo real está em desenvolver um controle de processo efetivo e garantir que as impressoras estejam na faixa adequada de monitoramento”, comenta Osvaldo Cristo.
A estabilidade traz, consigo, a rapidez. “Imprimimos recentemente um catálogo para a Coca-Cola, com aproximadamente 300 páginas em apenas três dias”, exemplifica Celso Lund. Eles ponderam, entretanto, que a qualidade também depende do cliente. “Ele tem de nos fornecer o material adequado, com imagens em excelente resolução.
Essas observações mostram que a implementação da retícula esconde desafios significativos. Ao nível mais simples, não é qualquer sistema de gravação direta de chapas que consegue gerar pontos de retícula estocástica de forma efetiva e constante. Justamente por permitir um ambiente mais equilibrado, o CtP térmico vem se revelando como a melhor solução. Segundo Danilo Eskenazi, a tecnologia térmica apresenta menos variáveis no processo de gravação da chapa, como controle de ganho de ponto, potência de laser e tempo de exposição.
O fato é que a gráfica precisa estar preparada para essa tecnologia. A retícula estocástica requer controles muito mais apurados; o grau de tolerância é muito menor e, como conseqüência, o quesito consistência é particularmente importante. Outra área que requer monitoramento rigoroso é o uso dos químicos: a retícula FM é muito sensível a qualquer instabilidade no processo químico de desenvolvimento com da chapa.
O que há de novo
Para minimizar o impacto de uma tecnologia tão sensível a variações de processo, os fornecedores têm investido em retículas híbridas. Segundo Pimentel, o uso da híbrida é, sem dúvida, um grande avanço, pois em arquivos mistos, com chapas e imagens, o resultado é superior. “A reprodução do tom de pele, que é muito difícil de acertar, fica mais simples de ser reproduzido.
Nesse sentido, a Creo dispõe de uma retícula híbrida, a Maxtone, para o mercado da flexografia, com a finalidade de solucionar problemas específicos desse segmento, Na Drupa 2004, a empresa lançou o sistema Spotless, que é a combinação da retícula estocástica Creo Staccato – disponível no mercado nacional há mais de dois anos – mais seis cores e perfis de cor, alcançando resultado de reprodução de aproximadamente 90% da escala Pantone.
Já a Agfa chegou a analisar a possibilidade de trabalhar com um mix das duas retículas, mas acabou optando pela tecnologia XM (Cross Modulated), lançando em 2003 a retícula Sublima. Desenvolvida nas lineaturas 210 a 340 Ipi, a Sublima, de acordo com o fabricante, aproveita o que as retículas AM e Fm têm de melhor, gerando chapas com acerto em máquinas mais simples. O supervisor de pré-impressão da gráfica paulista Gama, André Luiz Teixeira, utiliza essa retícula desde outubro de 2003. Ele conta que o novo sistema trouxe ganho de qualidade, sem a necessidade de fazer ajustes no processo. “Usamos em todo o fluxo, independentemente do tipo de trabalho. Ela oferece excelente definição, muita próxima da qualidade fotográfica.” Além da Sublima, a Agfa oferece ao mercado nacional a retícula Cristal Raster desde 2000.
Na Heidelberg, a novidade é a Satin Screening, parte da nova geração de tramas estocásticas da empresa. “O maior diferencial é a capacidade de produzir uma distribuição de pontos verdadeiramente aleatória, afim de evitar qualquer tipo de padrão perceptível na impressão”, revela Osvaldo Cristo. A empresa também vem apostando nas soluções híbridas, pois, de acordo com o gerente alguns clientes se sentem mais a confortáveis trabalhando com algo mais conhecido e sob controle.
COMO FUNCIONA
Diferentemente do processo convencional, no qual os pontos obedecem à ângulos predeterminados de acordo com a cor, a retícula estocástica distribuiu os pontos aleatoriamente, por meio de sofisticados algarismos. Na trama AM, pontos maiores originam valores tonais mais altos ou  mais saturados, enquanto os menores são utilizados para valores mais baixos. Os pontos são dispostos em uma grade fixa, e as tintas CMYK são aplicadas através de tramas com angulação específica, criando a ilusão de uma gama contínua de cores.
A retícula estocástica (adjetivo que no dicionário Houaiss refere-se a algo que depende ou resulta de uma variável aleatória), por outro lado, usa pontos menores, cujo tamanho não varia, podendo medir entre 14 a 21 mícrons, o que, no sistema tradicional eqüivale a um ponto de 1%. Para se Ter uma comparação real do tamanho reduzido dos pontos, basta considerar que um fio de cabelo humano mede cerca de 60 mícrons. Atualmente, existem tramas estocásticas nas quais o tamanho do ponto também varia, podendo chegar a medidas inimagináveis de até cinco mícrons, especialmente desenvolvidas para impressos de segurança, que imprimem em alta 5.000 dpi.
Fonte: www.abtg.org.br

Retícula: um dos segredos da boa impressão!


Fundamental para a maioria dos processos de impressão, a retícula nada mais é do que a decomposição da imagem em pontos. O processo de reticular tem conseqüências. Imagine uma imagem em preto e branco – ao “reticularmos” essa imagem, apagam-se as informações, o que resulta na perda de detalhes e nitidez.
Para amenizar esta perda, aumentamos a lineatura, ou seja, a quantidade de linhas por polegada (lpi), diminuindo o espaço entre os pontos. Por exemplo: do tradicional 150 lpi aumentamos para 175 lpi. Conclui-se, então, que quanto maior o a lineatura maior o detalhamento que obteremos no impresso.
Por que então não utilizar valores mais altos como 200 ou 220 lpi? Porque as normas da ISO para Offset se baseiam em lineaturas de 150 e 175 linhas por polegada?
Isto se deve à limitação no tamanho do ponto que podemos reproduzir nas chapas, na capacidade de reprodução da blanqueta e conseqüentemente no resultado em diferentes substratos.
Quanto maior a lineatura, menor os pontos nas áreas de luz (mais claras), e também de sombra (mais escuras). A retícula AM ou amplitude modulada possui esta característica, gerando pontos tão pequenos que não serão impressos. A maioria dos equipamentos de gravação de chapas trabalha com uma resolução de 2540 dpi. Se convertemos para unidade métrica, são 1.000 pontos por centímetro. Ao dividirmos um cm por mil pontos, o valor obtido será de dez microns. Para atingir lineaturas muito altas, o equipamento precisará gerar pontos inferiores a dez microns, o que não é possível, ocasionando perdas nas áreas de luz (1 a 4%), e de sombra (96 a 99%) diminuindo assim a quantidade de tons na reprodução de uma imagem.
• O ponto e a tiragem
Ao exceder a lineatura de 175 lpi, gera-se pontos tão pequenos que mesmo aparecendo na chapa gravada em CTP, desaparecem logo no início da impressão, devido ao atrito e ao ataque do álcool sobre a chapa, aparecendo buracos nas áreas claras e entupimento nas áreas escuras.
• Variações de cor no impresso
Lineaturas altas também podem produzir variações de cores durante a impressão, devido à distância pequena entre os pontos e também à baixa superfície de entintagem do ponto, ocasionando problemas de controle no equilíbrio tinta/água e um aumento excessivo no ganho de ponto.
Para trabalhar com segurança, o tamanho mínimo desses pontos deve ser de aproximadamente 20 microns.
• Retículas de alta resolução
Ultimamente, novos tipos de retícula foram desenvolvidos para economizar tinta, aumentar a definição das imagens e facilitar o ajuste das cores são elas:
• Retícula estocástica
Uma das primeiras soluções desenvolvidas para aumentar a nitidez nas reproduções foi a retícula Estocástica ou FM (Freqüencia Modulada), que tem todos os pontos de mesmo tamanho e não possui ângulos.
A principal dificuldade na reprodução da retícula estocástica é a calibração. É necessária a impressão de um testform para medir o ganho de ponto e ajustar no RIP.
• Ajustando o tamanho do ponto
A maioria dos equipamentos pode gravar esses pontos com tamanhos que variam entre 20 e 60 microns. Com 20 microns é ideal para reprodução de trabalhos de alta qualidade em papéis especiais. A retícula estocástica produz excelentes resultados com imagens de alta definição, tintas de alta pigmentação e papeis couché.
Como não produz ângulos, torna-se ideal para o ramo de embalagens, onde se imprime com mais de quatro cores. Mas como imprimir uma retícula tão fina em um cartão? – Simplesmente aumentando o tamanho do ponto no RIP para 30 ou 40 microns.
• Retícula Híbrida
A retícula híbrida procura utilizar o que há de bom entre a retícula convencional e a estocástica. Assim como a convencional, utiliza um ângulo diferente para cada cor. Sua principal diferença é que no RIP é possível determinar qual o menor ponto que se deseja gravar. Por exemplo: 20, 22, 30, etc. Dessa forma nas áreas entre 1% e 5% e 95% e 99% – onde na convencional os pontos ficariam muito pequenos – na retícula híbrida muda-se automáticamente a distância entre os pontos, preservando o tamanho mínimo estipulado no RIP. Ou seja, todos os pontos nessas áreas têm o mesmo tamanho.
Essa retícula permite trabalhar com lineaturas mais altas de 175 até 400 lpi, com uma variação de ganho de ponto bem menor que a da retícula estocástica.
Fonte: www.br.heidelberg.com

Provas digitais

Espaço de cores: Modelo bi, tridimensional ou quadridimensional usado para representar numericamente os atributos de uma cor.
  • GCR: (gray component replacement): É a substituição parcial dos componentes grises compostos em tricromia por preto. O GCR, se bem utilizado, permite uma neutralidade nos cinzas sem alterar a qualidade das cores e economia de tintas no processo de impressão.
  • Prova Contratual: Prova que melhor simule a impressão, cuja fidelidade de cor, em relação ao resultado final esperado, é considerada aceitável tanto pelo cliente quanto pelo fornecedor para fins comerciais. Alguns itens devem ser verifi cados para caracterizar uma prova de cor como prova contratual, são eles: repetibilidade, reprodutibilidade e durabilidade.
  • Prova de Imposição: Prova para verificação de posicionamento de páginas em função do planejamento do produto gráfico.
  • Prova de layout: Prova utilizada como referência de conteúdo do arquivo, podendo ser em cores ou preto e branco. Não requer controle de fidelidade de cor.
  • Prova remota: É uma prova produzida via rede dedicada ou Internet, com saída física, no local de destino. Pode ser contratual, dependendo de acordo prévio entre as partes envolvidas.
  • Prova virtual: É uma prova exibida em monitores, pode ser contratual, dependendo de acordo prévio entre as partes envolvidas.
  • Rendering Intent (modos de Renderização): É o modo de mapeamento de criação de imagens tridimensionais em um sistema de computação.
  • Rip: (Raster Image Processor): É um componente do software, para transformar arquivos ou documentos em arquivos compatíveis com o dispositivo de destino.
  • Target ou carta de cores: Conjunto de alvos com valores pré-definidos de combinações de cores, utilizado para construir, por meio de medições, uma tabela de caracterização de um determinado dispositivo que serve de base para a construção de seu perfi l de cor específico.
  • Test Form: É constituído por um conjunto de matizes e elementos padrões distribuídos pela área útil de impressão. Sua correta utilização permite a avaliação precisa do desempenho do equipamento. É recomendado incluir o target para geração de perfis.
  • UCR: (under color removal): É a redução das cores ciano, magenta e amarelo, nas áreas máximas compostas por quadricromia. O UCR, se bem utilizado, permite um melhor controle das variáveis de impressão, gerando melhor reprodução das áreas de máxima e economia de tintas no processo de impressão.
  • Somatórias: (Total ink): Total Ink especifica a quantidade total de tintas das quatro cores sobrepostas. A informação permite saber se não haverá excesso de tinta nas áreas mais escuras de grafismo.
Fonte: www.revistatecnologiagrafica.com.br